Histórico


A discussão sobre interdisciplinaridade, reconhecida como indispensável para obter os melhores resultados das ações de saúde, em qualquer nível de atenção tem no CIAD um espaço e uma importância, que é pouco comum nos Congressos de Saúde. Assim, busca-se contemplar participantes, sejam eles palestrantes ou ouvintes, não somente das diferentes área da saúde, mas das diferentes áreas profissionais. A participação de religiosos, economistas, administradores e, sobretudo, de advogados, entre outros, traz além de um panorama mais amplo, onde todas as questões se relacionam, a oportunidade de uma discussão mais rica.

Como se sabe os temas sobre a saúde não se resumem somente no seu restabelecimento. Fala-se de saúde, mas na verdade, o que se discute é a doença e as formas de prevenção, tratamento, remissão, controle, ou ainda, as de alívio e conforto, quando esta é grave e irreversível. É, portanto, um grande desafio para a medicina, mas tem igual importância para áreas de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Odontologia, Fonoaudiologia e Nutrição. Às estas ainda, se somam a Psicologia e o Serviço Social, como adjuvantes importantíssimos na avaliação global do paciente, e conseqüentemente o seu tratamento.

A capacitação técnica com o cuidado diretamente ao paciente, se complementa pelo embasamento dos aspectos éticos e legais, que devem nortear as ações no domicílio, o que tem sido amplamente discutido no Congresso. Não menos importantes são as áreas que dão apoio logístico para o bom funcionamento e segurança destes Serviços, portanto requer competência na administração dos Serviços, que vai desde pessoal administrativo ao operacional. Assim, também, se faz presentes no Congresso os administradores, economistas e outros. Além disto, a aplicabilidade deste modelo de atenção à saúde, nos diferentes níveis, segue normatização dos Órgãos Oficiais, tanto no Setor Público, quanto no Privado, por isso a participação de representantes destes Órgãos tem sido constante no Congresso, com a finalidade de trazer aos participantes a contribuição daqueles que são responsáveis pela normatização e o cumprimento da Legislação.

Não há a pretensão e nem seria possível realizar um Congresso que contemple todas as necessidades dos Serviços de Assistência Domiciliar. Isto porque não se limita a elencar os principais temas e resumi-los em um único evento. É um trabalho de construção ao longo de um tempo de vivência e atenta observação. A prática é dinâmica e contextualizada, somente podemos reformulá-la a partir do conhecimento, que nasce exatamente da leitura crítica do dia-a-dia, respaldada pelos conceitos teóricos e norteada pelos preceitos éticos e legais, e ainda, por uma constante reflexão. Só assim, poderemos almejar aprimorá-la, tornando-a mais humanizada e eficaz. Este objetivo é o fio condutor para as discussões que permeiam o Congresso.

A contribuição do CIAD se dá pela sua capacidade de reunir profissionais com interesses comuns, onde se fundem várias experiências e se introduzem diferentes saberes específicos, que amalgamados formam um panorama apropriado ao entendimento da prática assistencial interdisciplinar.

Assim, por entender que esta proposta responde ao escopo de nosso trabalho: ensino, pesquisa e assistência, desde de 2002, vem se realizando o Congresso Interdisciplinar de Assistência Domiciliar – CIAD, estando hoje em sua 10ª edição.
Para que fosse possível a construção de um Congresso vigoroso, algumas parcerias foram firmadas com Instituições que têm em comum os mesmos objetivos. A presença e o apoio da Fundação Faculdade de Medicina (FFM) e do Instituto Racine, reconhecendo ser um evento que tem o compromisso de disseminar o conhecimento, principalmente àqueles profissionais que se encontram na prática e no dia a dia com a população, é de fundamental importância para o fortalecimento não só do evento, mas de uma prática que dada importância social, não pode de forma alguma, ser considerada de menor importância.

Em 2003 foi a vez de firmarmos a parceria com o Instituto Racine. Obviamente, parceiro com os mesmos princípios e preocupações do NADI e da FFM. Como disse Afonso Sant’Ana “Só se tem um parceiro, quando se tem o mesmo par e passo”, e isto é o que temos feito ao longo destes anos. Da gestação à gestão do evento, todas as ações e propostas são discutidas, analisadas e avaliadas quanto à sua contribuição ao público com o qual o evento tem o seu maior compromisso. Assim, o fizemos por que tínhamos pensares e aspirações muito sinérgicas sobre saúde e sobre qual a contribuição que queríamos trazer ao Brasil neste campo.

E, acreditando que saúde é uma síntese, de uma multiplicidade de processos, do que acontece com a biologia de nosso corpo, com o ambiente que nos rodeia, com as relações humanas e sociais, com a política e a economia de um país. E, embora o modelo de saúde ainda seja baseado na ausência de enfermidade e privilegie o desenvolvimento tecnológico e dos fármacos, sabemos que para construir um Sistema de Saúde melhor é preciso “novas propostas para antigas questões”. E foi sob esse assunto central que concebemos o temário do CIAD 2003. Pensamos, através dele, proporcionar aos congressistas a oportunidade de aprender e vivenciar assuntos e discussões que fossem importantes na construção e estruturação de idéias, atitudes, processos e procedimentos na Assistência Domiciliar.

Ao longo deste período pudemos vivenciar a Assistência Domiciliar ser regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Sem dúvida, um importante passo na direção da construção de uma política pública para garantir este tipo de assistência. E, ainda que pese o muito que tenhamos a evoluir nas questões regulatórias, acreditamos que promover uma discussão sobre os pontos mais relevantes da norma tem sido uma constante em todos os CIAD’s. Afinal, é altamente profícuo para a segurança do profissional, dos pacientes, cuidadores e familiares. Certamente, o é também para o Órgão regulador, que pode contar com uma massa de sugestões consistentes.
Cabe refletir sobre os resultados alcançados com o evento: o espaço tem sido de total convivência, o conhecimento tem sido compartilhado e o fazer apresentado e discutido.  Acreditamos que todos os participantes deixam o evento com uma visão mais alargada sobre a assistência domiciliar. E, mais comprometidos em torná-la uma realidade acessível a um número maior de pessoas ou fazê-la de modo mais efetivo e seguro.

Acreditamos, também, que muitos, como nós, passam a sonhar com ver a assistência domiciliária tornar-se disciplina obrigatória nos diferentes cursos de graduação da área da saúde. A riqueza de seu exercício é a ênfase dada às pessoas, pois em nenhuma outra situação de assistência à saúde é tão fácil constatar que para a obtenção de quaisquer resultados terapêuticos, além dos nossos conhecimentos técnicos e científicos, é preciso conhecer e contar com o ser humano.

A assistência domiciliar, espaço já consagrado como forma de atendimento na área de saúde, vem, nos dias atuais, assumindo diferentes modelos, atendendo diversas populações e suprindo diferenciadas necessidades. Sendo assim, faz-se necessário, a cada ano, tanto discussões mais amplas que englobem temas de interesse geral, quanto análises pontuais que demonstrem para quem atende in loco os benefícios, as dificuldades e os desafios de tal modalidade de atenção.